quinta-feira, 9 de junho de 2011

Juventude na pele

A tatuagem foi levada às passarelas do Fashion Rio no último sábado (04/06/2011), no dia em que se encerrava esta temporada de desfiles. E quem a trouxe foi o corpo cheio de tinta do canadense Rick Genest, mais conhecido como "Zombie Boy", que desfilou para a marca Ausländer.
A coleção da grife, batizada "We all want to be young" (Todos queremos ser jovens), foi marcada por um visual dark, jovem e sensual. Rick fez duas entradas. A primeira (que me fez escrever este post), com as luzes da sala de desfiles completamente apagadas, usando uma placa luminosa que dizia "Young Blood" (Sangue Jovem). E a segunda, usando um casaco de malha listrado e uma calça preta deixando algumas tatuagens à mostra.



O desfile da Ausländer deixou reflexões pulsantes. Qual seria a relação da moda com a tatuagem? E mais.... a relação desta com a juventude, tema escolhido pela marca? E de ambas com a arte?
Que os inks não costumam ser bem quistos nas passarelas não é segredo para ninguém, basta assistir aos desfiles e procurar modelos tatuados. A presença é mínima, para não dizer nula. Qual seria o motivo para este fato? É bem verdade que a tatuagem é uma expressão de moda tão forte e agressiva que atrairia os olhares para os modelos... e ainda mais...para as tintas em seus corpos! E talvez ofuscaria o trabalho que realmente deveria ser o centro das atenções: a coleção. Afinal, quem reparou no que Rick estava vestindo em sua segunda entrada?











Os desfiles em que tatuados aparecem costumam ser de grifes com coleções ligadas à atitude rebelde e jovem, como foi o caso da Ellus, no São Paulo Fashion Week Inverno 2008, que surpreendeu com modelos tatuados em desfile na Estação Júlio Prestes. O problema é que as tatuagens foram feitas à caneta pelos tatuadores Pablo Delic da Tattoo na Paz, Felipe Praça e Barata, do Baratattoo, mas já serviram para mostrar a idéia. Vale relembrar também o desfile da coleção outono-inverno 2011 do estilista francês Thierry Mugler, em janeiro deste ano, que encerrou a Fashion Week parisiense e contou também com a presença de Rick Genest, que se tornou o "garoto propaganda" da campanha.




O fato, é que as tattoos só aparecem nas passarelas quando a coleção em questão está ligada ao punk, dark, rebeldia e juventude. É um esteriótipo. Mas a verdade, é que os desenhos com os quais marcamos nosso corpo vão bem alé do modismo. São marcas escolhidas, que fazem parte da nossa história, do que achamos bonito e do nosso estilo de vida. É a relação mais íntima com a arte e o artista. Entregar a pele, o maior orgão do corpo para que a arte seja mostrada.



Fã de tatuagem, portadora de três e com pelo menos cinco no pensamento, sei que não serei jovem a vida inteira. Mas sei que a juventude ficará marcada em minha vida. E na minha pele.









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